Por Andriele Moraes

13 de Junho de 2017

Confira a entrevista com o diretor técnico do DIEESE e entenda quais os fatores que devem ser alterados para alavancar a produtividade mesmo em período de crise econômica

Com seus lucros cada vez mais reduzidos, o aumento da produtividade nas empresas se torna necessário na medida em que a crise econômica se agrava e instaura no país. Tornar-se mais eficiente hoje é uma questão de sobrevivência para toda empresa que quer se manter no mercado. Porém, aumentar a produtividade significa investir em pontos como tecnologia, treinamento e educação corporativa. Além disso, o setor público também pode auxiliar melhorando as condições tributárias, por exemplo, dentro desse cenário. Confira a entrevista com Clemente Ganz Lúcio, Diretor técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), onde esses pontos são destacados:

HR ACADEMY – Quais são os fatores que podem contribuir para o aumento da produtividade?

CLEMENTE GANZ LÚCIO – Os fatores que dependem da alta produtividade são capital humano e físico. Com menos investimento em qualificações e estruturas profissionais, a produção do trabalho tende a cair. Portanto, esses aspectos tornam-se determinantes para o aumento da produção. Com um trabalhador mais qualificado e uma infraestrutura de tecnologia avançada no trabalho, a empresa possui um estímulo maior na hora de produzir. Entretanto, esse investimento não pode vir, apenas, da iniciativa privada. É fundamental que o governo possua um papel essencial na hora de fazer aplicações nesses fatores. Quando o governo não faz nenhum investimento nesses aspectos, logo, os empresários não fazem, também.

HR ACADEMY – E qual seria o principal investimento que deveria ser feita agora?

CLEMENTE GANZ LÚCIO – No momento, o investimento que se deve fazer é no setor público para que seja mobilizada a iniciativa privada. O maior estímulo que a economia deve fazer é a alocação do orçamento e a diminuição da inadimplência. Tudo isso requer uma estratégia de equilíbrio fiscal de médio prazo, uma cobrança de impostos, reduzindo gastos com outras áreas, isso tudo pode ser realizado ao mesmo tempo. Outro fator que pode levar à mobilização privada é o governo ter uma posição clara quanto à segurança no mercado, pois, atualmente, as organizações precisam disso para fazer investimentos.

HR ACADEMY – E qual seria o impedimento hoje para que governo e iniciativa privada se mobilizem e alavanquem os investimentos?

CLEMENTE GANZ LÚCIO – Quando a estratégia de desenvolvimento não está centrada na mobilização de empregos no mercado, a consequência é um processo que afeta diretamente a vida dos trabalhadores. Porém, no geral, empresários e governo pensam de formas diferentes. Isso gera uma série de gastos que não se transforma em investimento, quando, na verdade, é possível manter um equilíbrio e fazer com que a economia exerça seu papel de gerar empregos.

Entretanto, se a instituição permite que o salário de um funcionário cresça acima da produtividade, isso acaba por inviabilizar a empresa

HR ACADEMY – Além da questão de investimentos em qualificação, o que mais pode afetar diretamente a produtividade? 

CLEMENTE GANZ LÚCIO – Outro fator é a regulação e a flexibilização de trabalho. A regulação não permite um equilíbrio de capital e trabalho e, portanto, ela intenciona um sistema de conflitos e tende a provocar uma restrição na produtividade. Se o sistema não mantém um ambiente de trabalho mais equilibrado, pode afetar o nível de produção. Por outro lado, se a empresa não garante que os ganhos sejam distribuídos de maneira adequada há uma desmotivação e, por consequência, greves e paralisações por parte dos colaboradores. Entretanto, se a instituição permite que o salário de um funcionário cresça acima da produtividade, isso acaba por inviabilizar a empresa.  Nisso, deve haver um equilíbrio no ambiente de trabalho. Por isso é necessária a flexibilização.

HR ACADEMY – E qual seria a alternativa para aumentar a produtividade dos profissionais hoje?

CLEMENTE GANZ LÚCIO – A adequação empresarial com base nos estatutos dos trabalhadores pode gerar um equilíbrio e o aumento da produção. Mas, para isso acontecer, é necessário fortalecer os sindicatos trabalhistas. Para reverter o quadro da baixa produção é essencial que as negociações das empresas compactuem com as relações trabalhistas. Não existe uma fórmula exata para o aumento da produção sem encarecer os custos de trabalho. Fazer com que a produtividade aumente reduzindo o salário implica numa destruição da sociedade, mas investindo no setor público e privado pode fazer com que a situação da empresa melhore.

Quer receber nossos conteúdos? Se cadastre na Newsletter.